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E, graças a Deus, Maradona não vai correr pelado em volta do obelisco em Buenos Aires. O prazo de validade da Argentina venceu. A exemplo do Brasil, o time de los hermanos era só um amontoado de jogadores. Tecnicamente inferior à Seleção Brasileira. A surra diante da Alemanha trouxe os argentinos de volta à Terra. Nossos vizinhos estavam crentes de que levariam a taça. E até chegaram a enganar bem. Mas na hora "de a onça beber água", o pessoal do ego gigante parou no talento da Alemanha. Talento, sim. Porque a atual seleção alemã deixou um pouco de lado o futebol burocrático e previsível dos últimos anos e adotou um estilo que empolga. Isso se deve, principalmente, pela competência do seu técnico Joachim Löw, pelo talento de Lucas Podolski e de Schweinsteiger, pelo faro de gol de Miroslav Klose e pelo senso de liderança de Philipp Lahm. Isso sem contar esse Thomas Müller, que surge como promessa de ser o próximo grande jogador do futebol mundial. Acrescente a isso o bom serviço prestado por Prince Boateng, o jogador de Gana que tirou Michael Ballack da Copa - reforçando, e muito, a Alemanha. Os argentinos voltam para casa frustrados. Talvez menos do que nós, brasileiros. Até porque se esperava mais do melhor time das eliminatórias sul-americanas do que daquele que se classificou na bacia das almas, com a última vaga do continente. Até por isso, acho que sair na mesma fase que os hermanos pesa mais para o Brasil. Marcadores: Alemanha, Argentina, Copa do Mundo
Sabe aquela placa de "Eu já sabia"? Então, ela poderia muito bem ser a marca da eliminação do Brasil da Copa do Mundo da África 2010. Acho até que a Seleção Brasileira foi longe demais. Não por falta de talento ou peso de camisa. Nada disso. Mas por incompetência do senhor Ricardo Teixeira, o lamentavelmente eterno presidente da CBF. Foi dele a mirabolante ideia de dar o cargo de técnico da Seleção Brasileira ao até então totalmente inexperiente Dunga, um ex-volante competente dentro de campo - dentro de sua limitação técnica, é claro. E só. A carteira profissional de Dunga como treinador de futebol teve logo de cara o carimbo da CBF. Uma brincadeira de mau gosto do mandatário que se perpetua no no poder do órgão máximo do futebol nacional. O resultado? Depois de quatro anos no comando da Seleção Brasileira, Dunga teve como saldo uma infinidade de brigas com a imprensa, exemplos de total falta de educação e um rigor quase que militar no trato com os jogadores. Tudo em nome de pretensamente resgatar o amor pela camisa Canarinho. Como se isso, de fato, fosse possível no atual estágio globalizado e mercantilista do futebol. Em campo, Dunga não acrescentou nada ao futebol brasileiro. Nada. Absolutamente, nada. O Brasil que jogou - e ganhou fácil as eliminatórias - era um time totalmente dependente de seus talentos individuais. Coletivamente era um zero à esquerda. Dependia totalmente das arrancadas de Kaká, dos dribles de Robinho e dos insistentes cruzamentos de Maicon (com a bola rolando) e de Elano (em lances de Jabulani parada) para Luis Fabiano. E só. Muito pouco para uma Seleção Brasileira. Nenhuma jogada ensaiada em quatro anos. E ainda queríamos ser hexacampeões. Que me desculpem os mais apaixonados, mas isso nunca passou de um sonho. Sonho esse alimentado por uma enganosa eliminatória, afinal de contas, vencer Equador, Bolívia, Peru e esses outros times horríveis da América do Sul nunca foi mais que obrigação. Para piorar, Dunga insistiu em levar à África jogadores como Josué, Grafite, Kleberson, Felipe Melo... E sua teimosia custou caro. Dunga, que virou marca de futebol ruim em 1990 e se recuperou em 1994, vai carregar agora um adjetivo nada agradável. Ele criou a nova "Era Lazaroni". É a "Era Dunga". Que já vai tarde e não vai deixar saudades. Marcadores: Copa do Mundo, Seleção Brasileira, África-2010
Uruguai x Gana e Brasil x Holanda de um lado da chave. Do outro, Argentina x Alemanha e Paraguai x Espanha. Quartas-de-final da Copa do Mundo 2010 definidas, fico com a sensação de que duas seleções vão sair antes do que deveriam e duas vão ficar no Mundial mais do que mereciam. Desculpem aqueles que torcem por Uruguai, Gana, Paraguai e Espanha, mas o emparceiramento foi injusto. Brasil, Holanda, Argentina e Alemanha deveriam sim fazer as semifinais da Copa. Mas, pela divisão dos confrontos, duas das quatro seleções que têm jogado o melhor futebol na África (que, diga-se de passagem, não tem sido lá aquelas coisas) vão deixar a disputa do título na sexta e sábado. Nas semifinais, se tivesse que apostar, jogaria minhas fichas em Brasil x Uruguai e Alemanha x Espanha. Mas, como nesta Copa o que não faltam são surpresas, nem mesmo uma final Paraguai x Gana me deixaria espantado. Deus me livre! Marcadores: Copa do Mundo, quartas-de-final, África-2010
O Brasil conseguiu seu primeiro objetivo na Copa do Mundo 2010: terminou a primeira fase em primeiro lugar. Em tese, isso é o melhor. Pelo menos se a Espanha fizer o que se espera dela e, mais tarde, bater o Chile e se classificar em primeiro lugar na outra chave. Assim, a Seleção Brasileira evitaria um confronto com os espanhóis logo nas oitavas de final. Até porque, entre Chile e Espanha, melhor encarar os chilenos. Mas, a forma como o Brasil confirmou o primeiro lugar do Grupo G é de deixar uma ponta de dúvida sobre o time de Dunga. O jogo contra Portugal foi o primeiro, de fato, contra um time que sabe jogar bola neste Mundial. A Coreia do Norte é "café com leite" e a Costa do Marfim está mais para time de "Vale-Tudo" do que para futebol. E no primeiro teste real o Brasil sofreu muito contra os portugueses. Faltou qualidade na saída de bola (até porque o Dunga não levou um reserva para o Kaká) e faltou controle emocional, especialmente para Felipe Mello e Luís Fabiano. O primeiro obrigou Dunga a uma alteração precoce. O segundo cavou o cartão amarelo logo no começo do jogo e não ofereceu o menor perigo à defesa lusitana. Salvaram-se o capitão Lúcio e o goleiro Júlio César. No restante, todo mundo foi de regular para baixo. Agora, é esperar o próximo adversário. Marcadores: Brasil, Copa do Mundo, África-2010
Um conselho: se for à África, evite pizza de zebra. A Itália que o diga. Duvido que alguém, em sã consciência, tenha cravado que ao final da primeira fase teríamos Eslováquia classificada e Itália eliminada no Grupo F do Mundial africano. Em uma das maiores zebras da Copa 2010, os italianos, atuais campeões mundiais, já estão arrumando as malas para voltar para casa. Os eslovacos, até então abafados pelos irmãos da República Tcheca em termos de futebol mundial, ganham seu lugar ao sol. E nas oitavas de final. As classificações de Gana, Estados Unidos, Coreia do Sul e Uruguai (com todo respeito aos bicampeões mundiais), de um lado da chave na fase mata-mata, já indica que uma zebra estará nas semifinais do Mundial 2010. Ou seja, a Copa da África cada dia fica mais empolgante para quem gosta de torcer para os Davis contra os Golias. E mais chata para quem prefere ver as potências mundiais em campo até o fim. Marcadores: pizza
Essa Copa da África está ficando sem graça. A eliminação precoce de Camarões foi de doer. Samuel Eto'o e companhia mereciam ir mais longe. Mereciam bem mais que a pragmática Dinamarca ou que o sortudo Japão. Nenhum dos três deve render ao mundo nenhuma inovação futebolística, é verdade, mas Camarões, ao menos, é uma seleção que dá gosto de ver jogar. Joga no ataque, sem a burocracia do futebol dinamaquês ou a simplicidade excessiva do time japonês. Mas esse Mundial está mesmo estranho. É Sérvia tomando sufoco o jogo todo e, mesmo assim, ganhando da Alemanha. É a Espanha dominando 99% do jogo contra a Suíça e, no único vacilo, perdendo a partida. É verdade que o futebol só é apaixonante por ser assim. O único esporte no qual nem sempre o melhor vence. Mas, nesta Copa, a coisa está passando do limite. E, a continuar assim, tenho medo de que nas oitavas de final tenhamos um monte de seleções meia-boca e várias potências voltando para casa antes do tempo. Marcadores: Camarões, Copa do Mundo, África-2010
Sobre a vitória do Brasil sobre a Coreia do Norte, algumas considerações: 1 - Kaká não jogou nada. 2 - Robinho deu a assistência para Elano. E só. Pouco para ele. 3 - Maicon quis cruzar (ele até dá uma olhadinha para ver quem está na área) e não chutar aquela bola. 4 - Gilberto Silva falhou no gol da Coreia. E Lúcio também. 5 - Anda sobrando vontade e faltando futebol a Luis Fabiano nos últimos jogos. 6 - Dunga, que roupa era aquela? Menos, por favor.
Achei que ela não daria as caras na primeira rodada. Logo uma habitante nativa da África da Sul. Mas ela apareceu, sim. Fez um certo drama e, para azar dos espanhóis, resolveu esperar até o último jogo, mas eis que ela chegou: a zebra. E que zebra! A Suíça, de futebol burocrático, extremamente defensivo e pouco criativo derrotou o xodó da Europa, a Espanha. Aquela que, alguns de seus jogadores, chegaram a dizer que joga um futebol mais bonito que o do Brasil. Na primeira rodada, não faltou disposição espanhola, é verdade. Mas faltou um toque a mais, algo que diferencia os bons times dos verdadeiros campeões. Aquela capacidade de, mesmo diante de um adversário todo retrancado, conseguir fazer o resultado. Assim como o Brasil, mesmo com um futebolzinho feio, conseguiu contra a Coreia do Norte. A Espanha da estreia foi mais Espanha do que nunca. E, pelo menos na primeira rodada, a nova Espanha mostrou velhos defeitos da velha Espanha. Talvez, lhe falte confiança. Já o Chile venceu Honduras (meu Deus! Honduras na Copa!) por mísero 1 a 0. Esse Grupo H promete. Marcadores: Copa do Mundo, Espanha, África-2010
Foi emocionante o jogo de abertura da Copa do Mundo 2010. Fraco tecnicamente falando, é verdade, mas emocionante sim. Talvez até um tanto quanto fanfarrão em razão do excesso de vontade (e só vontade mesmo) dos jogadores da África do Sul e do já conhecido México - aquele do "joga como nunca e perde como sempre". Desta vez, os mexicanos não perderam. Ao menos o jogo. Porque perderam a melhor das chances de somar 3 pontos no Mundial. Digo isso baseado na qualidade técnica dos três adversários que o pessoal do sombreiro vai ter pela frente. E, neste critério, Uruguai e França são rivais mais difíceis para a turma do Blanco e do Giovanni dos Santos. Por sinal, bom jogador. E só. Já os Bafana Bafana mostraram que têm na torcida e sua empolgação o seu jogador mais importante. E só, também. O gol de Tshabalala foi um espetáculo. Mas é do tipo "um raio não cai duas vezes no mesmo lugar". Além disso, a empolgação sul-aficana dentro de campo deixou sua defesa muito exposta. E daí... Problema para o Parreira. O 1 a 1 decepcionou ambos os lados. Os sul-africanos porque queriam - e acreditavam mesmo nisso - vencer e fazer história. Os mexicanos porque jogaram fora uma boa chance de vitória. E isso é só o começo. Daqui a pouco tem Uruguai x França. Marcadores: Copa do Mundo, empate, estreia, África-2010
De antemão, peço desculpas aos riobranquenses apaixonados pelo clube. Mas a notícia de que a Prefeitura de Americana quer municipalizar o Estádio Décio Vitta coloca a cidade na contramão dos tempos modernos. Enquanto muito se fala em todo o Brasil sobre a necessidade de investir cada vez mais recursos da iniciativa privada nos estádios do país, Americana quer seguir o caminho inverso. Dinheiro público tem de ser usado para a coletividade. E o Rio Branco, faz tempo, deixou de representar uma maioria em Americana. Quer prova? Vá a um jogo, seja ele de qual divisão for, e conte o número de torcedores sentados nas arquibancadas. Isso mesmo, conte! Porque é possível contar, tão poucos são os que ainda mantém viva a chama de amor incondicional pelo clube. O futebol do Rio Branco deve seguir seu caminho, continuar vivo, mas andando com as próprias pernas. Se o futebol profissional do clube hoje tem dificuldades até para manter o seu estádio, de custo mensal estimado em R$ 20 mil, a responsabilidade tem de recair sobre os ombros daqueles que o administraram - bem ou mal, julgue quem quiser - nos últimos anos ou décadas, de acordo com a análise individual sobre quando começou a derrocada financeira. Só o que há de certo é que o contribuinte americanense, aquele que tem de pagar para assistir aos jogos, não pode pagar a conta. Marcadores: estádio, Prefeitura, Rio Branco
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