Todo mundo do meio ligado ao futebol tem medo do Rogério Ceni. É incrível. A coisa vai desde o gandula até os tribunais de justiça desportiva. Todos falam sobre o goleiro e capitão são-paulino - aliás, um multicampeão com o São Paulo - quase que com devoção. O mais recente episódio é esse de que ele será denunciado no Tribunal de Justiça Desportiva pela expulsão contra o Santos, domingo, na Vila, enquadrado em apenas um artigo. Ou seja, apenas pela falta que resultou na expulsão. Pela sua investida sobre o árbitro Carlos Eugênio Simon, nada.
Rogério já merecia o prêmio framboesa de ouro (aquele dado aos piores da indústria cinematográfica) pela cena que fez após o choque com o jogador santista. Ficou com a mão na altura das costelas, fazendo cara de dor. E tão logo recebeu o cartão vermelho, a dor sumiu e o goleiro, até então encolhido pela dor, se agigantou para cima do árbitro, enfurecido e crítico, como costuma ser quando sai perdedor de alguma situação (desta vez não no resultado do jogo, mas na punição).
Depois, fora de campo, aos microfones que se aglomeraram em volta dele, não poupou críticas ao árbitro. Por menos que isso - bem menos - muitos técnicos já foram enquadrados. Jogadores então, nem se fale. Mas o capitão são-paulino vai sair ileso. Mesmo entre os jornalistas, nota-se um cuidado especial em não ser espalhafatoso nas críticas a Rogério. Mesmo quando suas falhas ficam escancaradas. Isso, é claro, não tira os méritos por toda uma carreira. O goleiro são-paulino atingiu o status de ídolo dentro de campo. E o deve ser sempre. Mas para sua torcida que, por sinal, não é pequena.
Christian Vieri no Botafogo de Ribeirão Preto. Ótima notícia para o futebol paulista. Ainda melhor para o Interior. Some-se à contratação de Luizão pelo Rio Branco e já são dois bons motivos para pensarmos que a parte caipira do Paulistão será forte em 2010. Os dois atacantes estão longe daqueles jovens que fizeram sucesso por grandes clubes (Vieri tem 36 anos e Luizão, 33). Mas, certamente, ambos ainda têm muito futebol e, principalmente, o faro de gol. Em forma física ideal, ambos serão atrações à parte no Campeonato Paulista.
E, tomara, outras novidades como essa aconteçam. Quem sabe Denílson, Roque Júnior, Amoroso e outros - que já não conseguem mais espaço em grandes clubes com tanta facilidade - possam reforçar mais clubes do Interior e fazer do Paulistão um torneio bem mais interessante do que tem sido ultimamente.
Posso até estar enganado, mas o futebolzinho medíocre que o Palmeiras vem jogando nas últimas rodadas do Brasileirão 2009 está com cheiro de corpo mole para derrubar técnico. Embora, no momento, ache mais fácil a diretoria do Palmeiras dispensar dois ou três medalhões do elenco do que abrir mão do técnico que tanto queria. A torcida, que não tem nada com isso e quer mais é ver seu time ganhando, já soltou as primeiras vaias a Muricy Ramalho e pediu por Jorginho, o interino que vinha dando certo. E saber que tudo isso acontece com o time na liderança do campeonato. Já pensou se estivesse brigando para não cair?
Podem até dizer que sou maluco ou me xingarem. Mas torci, e muito, pela Argentina contra o Uruguai, quarta-feira, na última rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2010. Afinal de contas, que graça tem um Mundial sem os hermanos? Até porque na Copa do Mundo há duas boas razões para assistir aos jogos, além é claro da paixão pelo futebol. A primeira delas é torcer pelo Brasil. A outra, secar a Argentina.
Se os comandados de Maradona ficassem de fora do Mundial, nossas atrações seriam limitadas. Até acho que disputar uma repescagem não seria nada mal para a soberba argentina. Uma boa dose de humildade forçada seria útil a Dom Diego. Mas, os deuses do futebol quiseram a classificação direta da Argentina. E, a partir de agora, estamos todos no mesmo barco. Primeiro ou quarto classificado, todos vão para o sorteio dos grupos, em dezembro.
O Uruguai? Bom, com todo respeito, pela bolinha que tem jogado ultimamente, somado à incompetência de marcar ao menos um gol em casa contra a Argentina, tenhos maus presságios. Acho que vamos ver a Costa Rica na Copa da África.
Pereirinha, meia da seleção sub-21 de Portugal, protagonizou uma daquelas cenas que vai ficar marcada para sempre no futebol. Não pela plasticidade de um drible formidável ou pela categoria de um gol daqueles antológicos. Foi pela besteira que fez em cobrança de um pênalti em partida contra Cabo Verde, válida pela 13ª edição do Torneio da Madeira.
A seis minutos do fim da partida, Pereirinha ajeitou a bola para cobrar o pênalti e, em vez de um chute direto ou uma paradinha, optou por uma jogada feita com sucesso pela primeira vez pelo lendário Cruyff e repetida, com sucesso, algumas vezes. Inclusive por Euller – aquele que um dia foi chamado de o filho do vento – em jogo do América Mineiro.
O problema foi que Pereirinha não combinou direito com Rui Pedro. Aí a coisa complicou. No final, Portugal venceu por 2 a 0. Mas Pereirinha tomou uma tremenda dura do treinador, Rui Caçador. O vídeo fala por si a respeito da “astúcia” de Pereirinha.
Luizão tem tudo para dar certo no Rio Branco. Tecnicamente, não dá para discutir a qualidade do centroavante que fez parte do grupo pentacampeão mundial com a Seleção Brasileira e jogou nos quatro grandes de São Paulo. Do ponto de vista de marketing, então, a sacada é das melhores. Uma estrela do futebol nacional pode ser o atrativo que faltava para o torcedor retornar ao Estádio Décio Vitta.
Mas, e sempre existe um mas, é necessário deixar claro que Luizão não joga sozinho. Não basta contratar um medalhão e insistir em grande parte do grupo que fracassou na Copa Paulista. Com todo o respeito que os profissionais merecem, nem mesmo do grupo vice-campeão da A-2 muitos poderiam ser aproveitados no time que disputará o Paulistão. Segundona é uma coisa, elite é outra bem diferente.
Enquanto na A-2 bastava um pouco de qualidade técnica, desde que compensada com muita vontade, determinação e aplicação tática, na A-1 a banda toca diferente. A qualidade técnica faz toda a diferença na hora de determinar quem fica e quem volta para a A-2. Sendo assim, tomara que Luizão seja apenas o início - e um bom início - da montagem do time que jogará o Paulistão 2010. Para que, assim, o Rio Branco que ressurge na elite seja o que incomodava os grandes do Estado no começo da década de 90 e não o que frustrava a torcida nos últimos anos em que conseguiu se segurar na Primeira Divisão à base de sorte.
Assisti Brasil 3x1 Uruguai pelo Mundial Sub-20. Como joga bola o tal do Alex Teixeira. O lateral-direito, Douglas, também entende da coisa. Alan Kardec e Paulo Henrique Ganso também dão boas esperanças ao futuro da Seleção Brasileira. Já a Celeste... Pobre Celeste. O futebol dos garotos do sub-20 do Uruguai mostra que o futuro do país no esporte não é lá muito melhor do que o estágio atual. O drible da vaca que o lateral esquerdo levou no segundo gol do Brasil foi bisonho. Que dó.
Vou torcer por Madrid. Ou por Chicago. Até por Tóquio. Só não vou torcer pelo Rio na eleição de hoje do Comitê Olímpico Internacional sobre a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. E tive a certeza disse na noite desta quinta-feira quando editava a matéria sobre os gastos astronômicos apenas com a campanha carioca. São R$ 138 milhões só para fazer propaganda de um evento que, a julgar pelo legado do Pan-Americano de 2007, não passa de um gasto desnecessário. De jogar dinheiro na lata do lixo.
E os Jogos, se vierem para o Brasil, vão custar a bagatela de R$ 25 bilhões. Para um país que ainda assiste pessoas morreram de fome e por falta de assistência médica e não consegue resolver seus problemas de segurança, é dinheiro demais. Deixem isso para o primeiro mundo e para quem tem dinheiro de sobra para gastar. Ao Rio, basta o samba, as praias e o futebol. Ou melhor, só o samba e as praias, até porque o futebol de lá anda bem fraquinho.
Esse novo canal foi aberto para debater temas da atualidade – e outros nem tanto – de algo que desperta paixões, faz rir, chorar e tem a capacidade quase que inexplicável de separar torcidas e, ao mesmo tempo, unir uma nação. O esporte é assim. Simples e tão complexo. Acima de tudo, discutível.