29.4.10

STJD e as punições de ‘mentirinha’

A justiça desportiva do Brasil é a própria terra do faz de conta. Punições severas, que colocam auditores e procuradores do TJD ou do STJD em evidência, viram poeira tão logo o assunto caia no esquecimento. Por isso não dá mais para levar a sério as punições que são aplicadas. Ou melhor, decididas, nos tribunais esportivos.

O caso mais recente é o do atacante Jobson, ex-Botafogo. Jogador de futuro promissor, o rapaz foi flagrado em dois exames antidoping e, depois de negar de imediato, confessou a dependência química e pegou gancho de dois anos. Por se tratar de reincidência (foram dois flagrantes), deveria ser banido do esporte. Diante de apelos, não foi.

Deveria ficar dois anos afastado não só como punição, mas também para se tratar, se recuperar por completo física e psicologicamente. Mas, agora, uma nova decisão do presidente da Segunda Comissão Disciplinar do STJD, José Mauro Coto, reduziu a pena de Jobson para seis meses. Assim, ele volta a ter condições de jogo já em julho.

A decisão do STJD é séria e pode provocar posicionamentos favoráveis ou contrários. E cada opinião merece respeito. Para mim, parece um precedente perigoso. Em vez de mostrar aos jovens que o caminho das drogas é ruim e que pode privá-lo do que mais gosta, o tribunal desportivo presta um desserviço a sociedade mostrando que a dura pena, no fim, será abrandada.

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Mano fala, fala e não diz nada

Tirando poeira aqui do blog. Assisti uma entrevista do técnico do Corinthians, Mano Menezes, logo após o jogo contra o Flamengo, quarta-feira, no Maracanã, pela Libertadores. Juro que sempre espero um pouco mais de treinadores e jogadores no que diz respeito a evolução nas respostas a perguntas que são formuladas (mesmo que algumas delas sejam de doer). E normalmente me decepciono.

Foi assim quando Mano foi questionado sobre a possibilidade de colocar Ronaldo, até agora inoperante em 2010, no banco de reservas. Se o treinador conseguia enxergar tal possibilidade. A resposta? Bom, depois de dizer que o Fenômeno foi responsável pelo melhor lance ofensivo do Timão no Maracanã - e deixando de mencionar as várias jogadas que o corintiano atacante de peso desperdiçou -, Mano tratou de transferir o foco.

O treinador disse que não era culpa sua ou de Ronaldo que a imprensa tenha feito do jogo um duelo entre o Fenômeno e o Imperador Adriano. E que não era justo, por isso, jogar todo peso (ou sobrepeso) pelo mal resultado sobre as costas de Ronaldo. Oras, caro Mano. Deveria então a imprensa promover o confronto focando o duelo entre Jucilei e Rômulo? Ou que tal um confronto entre Toró e Moacir?

Os holofotes, que já não eram poucos, se multiplicaram no Corinthians por causa de Ronaldo. E o mesmo vale para o Flamengo em relação a Adriano. Isso dá a eles uma carga natural de responsabilidade. São jogadores mais valorizados e, por isso, mais cobrados. Mas a resposta de Mano e a tentativa de desviar o foco tem um motivo que me parece bem claro: não responder a pergunta e, assim, evitar um desgaste com um desanimado, mas ainda bem rentável camisa 9.

Sobre o jogo, foi muito bom o segundo tempo. Sim, segundo tempo, porque o primeiro foi uma lástima. Menos por culpa dos jogadores e bem mais por culpa da chuva que castigou o Rio de Janeiro.

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