A culpa é da bola

Quem tem pelo menos 30 anos vai entender muito bem o que quero dizer. E desses, com certeza a maioria já teve ou brincou com uma bola de futebol na década de 80. Eram bolas de couro. As de tamanho profissional eram as número 5. Essas eram as melhores. Tecnologia? Nenhuma. Eram vários gomos costurados e, por dentro, uma câmara de ar feita à base de borracha garantia que ela permanecesse redonda (ou quase isso).
Anda naquela época, nos campinhos improvisados, o jogo não parava nem debaixo de chuva. A bola molhava, encharcava mesmo, e continua rolando. Quer dizer, mais ou menos. Porque passava a pesar demais. Parecia até que estava se chutando um saco de areia. Mas o jogo não parava.
E foi com bolas desse tipo também que jogaram nomes consagrados do futebol brasileiro e mundial. Foi com uma bola assim que Pelé se tornou o rei do futebol. E sem reclamar do instrumento de trabalho. Dito tudo isso, juro que não consigo entender as reclamações dos jogadores atuais.
Toda tecnologia disponível atualmente é usada para criar novas bolas que não alterem o peso nem o formato e, ano após ano, eles nunca estão satisfeitos. Reclamam que a bola desvia, que é muito leve, que muda de formato, de direção. Santo Deus! Até parece que a bola tem vida própria.
Sinceramente, para mim isso parece muito mais uma forma de justificar-se antecipadamente por erros que eventualmente venham a acontecer. Sabe aquela chance cara a cara com o goleiro que você perde, isolando a bola. Então, desde já a culpa é da bola. Ou aquele frango que você engole num jogo decisivo. Então, culpa da bola também. Haja paciência.
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