3.7.10

Quem ri por último...

E, graças a Deus, Maradona não vai correr pelado em volta do obelisco em Buenos Aires. O prazo de validade da Argentina venceu. A exemplo do Brasil, o time de los hermanos era só um amontoado de jogadores. Tecnicamente inferior à Seleção Brasileira. A surra diante da Alemanha trouxe os argentinos de volta à Terra.

Nossos vizinhos estavam crentes de que levariam a taça. E até chegaram a enganar bem. Mas na hora "de a onça beber água", o pessoal do ego gigante parou no talento da Alemanha. Talento, sim. Porque a atual seleção alemã deixou um pouco de lado o futebol burocrático e previsível dos últimos anos e adotou um estilo que empolga.

Isso se deve, principalmente, pela competência do seu técnico Joachim Löw, pelo talento de Lucas Podolski e de Schweinsteiger, pelo faro de gol de Miroslav Klose e pelo senso de liderança de Philipp Lahm. Isso sem contar esse Thomas Müller, que surge como promessa de ser o próximo grande jogador do futebol mundial. Acrescente a isso o bom serviço prestado por Prince Boateng, o jogador de Gana que tirou Michael Ballack da Copa - reforçando, e muito, a Alemanha.

Os argentinos voltam para casa frustrados. Talvez menos do que nós, brasileiros. Até porque se esperava mais do melhor time das eliminatórias sul-americanas do que daquele que se classificou na bacia das almas, com a última vaga do continente. Até por isso, acho que sair na mesma fase que os hermanos pesa mais para o Brasil.

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Crônica de uma tragédia anunciada

Sabe aquela placa de "Eu já sabia"? Então, ela poderia muito bem ser a marca da eliminação do Brasil da Copa do Mundo da África 2010. Acho até que a Seleção Brasileira foi longe demais. Não por falta de talento ou peso de camisa. Nada disso. Mas por incompetência do senhor Ricardo Teixeira, o lamentavelmente eterno presidente da CBF. Foi dele a mirabolante ideia de dar o cargo de técnico da Seleção Brasileira ao até então totalmente inexperiente Dunga, um ex-volante competente dentro de campo - dentro de sua limitação técnica, é claro. E só.

A carteira profissional de Dunga como treinador de futebol teve logo de cara o carimbo da CBF. Uma brincadeira de mau gosto do mandatário que se perpetua no no poder do órgão máximo do futebol nacional. O resultado? Depois de quatro anos no comando da Seleção Brasileira, Dunga teve como saldo uma infinidade de brigas com a imprensa, exemplos de total falta de educação e um rigor quase que militar no trato com os jogadores. Tudo em nome de pretensamente resgatar o amor pela camisa Canarinho. Como se isso, de fato, fosse possível no atual estágio globalizado e mercantilista do futebol.

Em campo, Dunga não acrescentou nada ao futebol brasileiro. Nada. Absolutamente, nada. O Brasil que jogou - e ganhou fácil as eliminatórias - era um time totalmente dependente de seus talentos individuais. Coletivamente era um zero à esquerda. Dependia totalmente das arrancadas de Kaká, dos dribles de Robinho e dos insistentes cruzamentos de Maicon (com a bola rolando) e de Elano (em lances de Jabulani parada) para Luis Fabiano. E só. Muito pouco para uma Seleção Brasileira. Nenhuma jogada ensaiada em quatro anos.

E ainda queríamos ser hexacampeões. Que me desculpem os mais apaixonados, mas isso nunca passou de um sonho. Sonho esse alimentado por uma enganosa eliminatória, afinal de contas, vencer Equador, Bolívia, Peru e esses outros times horríveis da América do Sul nunca foi mais que obrigação. Para piorar, Dunga insistiu em levar à África jogadores como Josué, Grafite, Kleberson, Felipe Melo... E sua teimosia custou caro. Dunga, que virou marca de futebol ruim em 1990 e se recuperou em 1994, vai carregar agora um adjetivo nada agradável. Ele criou a nova "Era Lazaroni". É a "Era Dunga". Que já vai tarde e não vai deixar saudades.

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